Ano passado, surgiram histórias sobre um lagar do início da Idade do Bronze, um local da Idade do Bronze Final e o comércio da Idade do Ferro. Aqui estão os três principais relatórios em arqueologia bíblica em novembro de 2025.
3. Escavações renovadas em Ugarit após pausa de 14 anos
Após um hiato forçado pelo início da guerra civil em 2011, as escavações em Ugarit foram retomadas por uma missão arqueológica ítalo-síria, coordenada pelo Professor Lorenzo d’Alfonso, da Universidade de Pavia. Entre 1450 e 1195 a.C., Ugarit consolidou-se como um centro comercial estratégico, conectando potências como o Egito, a Mesopotâmia, a Anatólia e Chipre.
A relevância histórica do local foi selada com a descoberta de seus arquivos em 1927, compostos por tabuletas cuneiformes em sete idiomas e quatro sistemas de escrita diferentes. Além de registros administrativos, esses textos oferecem uma visão sem precedentes da religiosidade do Antigo Oriente Próximo, com destaque para o culto a Ba’al, divindade frequentemente citada no Antigo Testamento. Atualmente, o foco da equipe é desvelar novos setores da cidade para reconstruir a dinâmica da vida cotidiana no final da Idade do Bronze.
2. Novo estudo rastreia o comércio de marfim no sul do Levante de 1600 a 600 a.C.
Um estudo recente publicado no Journal of Archaeological Science analisou 1.500 artefatos de marfim do Levante Meridional, datados entre 1600 e 600 a.C. Através de análises moleculares e de isótopos de carbono e nitrogênio, os pesquisadores determinaram que 85% do material era de elefante e 15% de hipopótamo, com origem na África Subsaariana (antiga Núbia).
A conclusão central é que esses itens chegavam à região por meio de redes comerciais núbias que operavam de forma independente das grandes potências como o Egito. Esses dados científicos corroboram as descrições bíblicas de intensa atividade comercial durante o período monárquico (1Rs 9:26, 10:22) e o uso ostensivo de marfim pela aristocracia e pela realeza, conforme registrado em textos como 1 Reis 10:18, 22:39 e na denúncia profética de Amós 6:4.
| Referência Bíblica | Contexto do Marfim / Comércio |
| 1 Reis 9:26 | Construção de frotas de navios em Ezion-Geber. |
| 1 Reis 10:22 | Frotas de Társis trazendo ouro, prata, marfim e animais exóticos. |
| 1 Reis 10:18 | O grande trono de marfim revestido de ouro puro de Salomão. |
| 1 Reis 22:39 | A famosa “casa de marfim” construída pelo Rei Acabe. |
| Amós 6:4 | A crítica do profeta aos que “dormem em camas de marfim” (luxo excessivo). |
1. Antigo lagar e complexo de culto descoberto perto de Megido
Pesquisas preventivas realizadas pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) na Rodovia 66 revelaram um importante complexo de culto e vinificação próximo à histórica Megido. A descoberta central é um dos lagares mais antigos de que se tem registro, datado do Bronze Inferior I (aprox. 3000 a.C.).
A estrutura foi esculpida diretamente na rocha e apresenta uma superfície inclinada projetada para o escoamento do líquido até o tanque de coleta. A datação foi confirmada através da análise de cerâmicas encontradas tanto no local de produção quanto em áreas residenciais vizinhas, situando a atividade econômica e religiosa da região há mais de cinco milênios.
Nas proximidades do sítio anterior, arqueólogos identificaram uma zona de adoração datada do Bronze Final II (aprox. 1400–1200 a.C.). O local continha depósitos rituais de cerâmica estrategicamente posicionados com vista para o templo de Megido, embora localizados fora das muralhas. Entre os achados destacam-se recipientes importados de Chipre, miniaturas de santuários e, de forma especial, um vaso zoomórfico em formato de carneiro, utilizado para rituais de libação.
A localização sugere que as práticas religiosas cananeias ocorriam também nas vias de acesso à cidade. Este cenário é contemporâneo ao período da conquista de Canaã relatado na Bíblia. Embora os israelitas tenham vencido o rei de Megido (Josué 12:21), a cidade em si não foi ocupada inicialmente (Juízes 1:27). A descoberta deste centro de culto ajuda a ilustrar o ambiente religioso que, segundo as Escrituras, influenciou os israelitas a adotarem costumes estrangeiros (Juízes 2:12).
Vale notar que:
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Megido: É um dos sítios arqueológicos mais importantes de Israel, citado inúmeras vezes na Bíblia (como em Josué 12:21 e 1 Reis 9:15) e associado ao Armagedom (Apocalipse 16:16).
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Antiguidade: Esta descoberta mostra que a ocupação humana e a produção agrícola na área são milênios mais antigas do que o período dos Reis de Israel, estabelecendo o cenário histórico da Terra Prometida.
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Josué 12:21: Menciona o rei de Megido na lista dos reis derrotados por Josué.
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Juízes 1:27: Relata que a tribo de Manassés não conseguiu expulsar os habitantes de Megido e suas aldeias.
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Juízes 2:12: Descreve o abandono do Senhor pelos israelitas para seguir outros deuses dos povos ao redor.
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