Personalidades à Luz da Bíblia
Introdução
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12 verso 2)
“Pastor, eu sou assim desde criança… explosivo, mas de coração bom.”
“Minha esposa reclama, mas eu sou quieto mesmo, não gosto de gente.”
“Não sei dizer ‘não’, mesmo quando eu deveria. Sou assim, emotiva demais…”
Essas frases soam familiares? Elas são comumente ouvidas nos corredores das igrejas, nas salas de aconselhamento e nos grupos pequenos de discipulado. A maioria de nós foi ensinada a reconhecer que cada pessoa tem um “jeito de ser” – algo inato, uma disposição natural que molda a forma como falamos, sentimos, reagimos e nos relacionamos. Esse “jeito” é o que chamamos de temperamento, e ele se manifesta nas expressões visíveis da nossa personalidade.
Desde a Antiguidade, os temperamentos foram estudados por médicos e filósofos. Hipócrates, o pai da medicina, classificou-os em quatro tipos básicos: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. Cada um com suas virtudes e desafios. A psicologia moderna, por sua vez, ampliou essas categorias e as refinou, mas a essência ainda nos serve como ferramenta pastoral.
Contudo, um erro perigoso se infiltrou também entre os cristãos: o de usar o temperamento como justificativa para o pecado ou para a estagnação espiritual. Tornou-se comum cristãos afirmarem que não mudam porque “sempre foram assim”. Essa ideia é profundamente antibíblica. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Romanos, nos adverte de forma clara e incisiva: “Não vos conformeis…” – ou seja, não se acomodem ao seu modo de ser natural. Ao contrário disso, somos chamados à transformação.
A palavra usada por Paulo para “transformai-vos” é o grego metamorphoô, de onde vem o termo “metamorfose”. É o mesmo termo usado para descrever a transfiguração de Jesus em Marcos 9 verso 2. A ideia não é uma melhora cosmética, mas uma mudança profunda de natureza, dirigida pela renovação do entendimento e operada pelo Espírito Santo.
É por isso que este estudo é tão necessário. Ele tem um objetivo claro: mostrar como Deus pode usar e transformar cada tipo de temperamento para a Sua glória. Não se trata de negar nossa personalidade, mas de redimi-la. O temperamento não é desculpa para a carnalidade; é matéria-prima para a santificação.
Na verdade, a Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres com temperamentos marcantes. Suas histórias mostram tanto os perigos da personalidade não tratada, quanto o poder da transformação espiritual. Pedro, o impulsivo sanguíneo, precisava de controle. Paulo, o colérico, de submissão. Jeremias, o melancólico, de esperança. Abraão, o fleumático, de fé ativa. Cada um deles viveu um processo — uma jornada de temperamento transformado pela ação do Espírito Santo.
Tim LaHaye, em seu clássico “Temperamentos Transformados”, observa com sabedoria que não existe temperamento ideal, mas sim temperamento idealizado por Deus, quando rendido à vontade divina. Os dons naturais tornam-se dons espirituais quando entregues no altar. E os defeitos herdados, se não tratados, podem se tornar tropeços até mesmo na vida ministerial.
Além disso, o conceito de transformação do temperamento está intimamente ligado ao ensino da educação cristã. Conforme vemos no estudo sobre a formação do caráter à luz da Palavra, o propósito da educação cristã não é formar religiosos apenas, mas moldar o homem à imagem de Cristo, ajudando-o a sair do velho homem e se revestir do novo (Efésios 4 versos 22 a 24).
A realidade é que somos chamados não apenas para sermos salvos, mas para sermos semelhantes a Cristo. Essa semelhança não é automática. Ela se dá por meio de um processo progressivo de transformação, que inclui também o modo como reagimos, falamos, sentimos e pensamos. A personalidade, então, precisa ser submetida ao Senhor, pois é nela que se expressa o nosso caráter.
A proposta é:
- Analisar os quatro temperamentos clássicos à luz das Escrituras;
- Identificar personagens bíblicos que encarnaram esses temperamentos;
- Mostrar como Deus trabalhou neles para transformá-los;
- Apontar os riscos de um temperamento não tratado;
- E, acima de tudo, nos levar à uma entrega total da nossa personalidade ao Espírito Santo.
Em cada parte deste estudo, você será desafiado a se reconhecer, confrontar suas tendências naturais e ver, pela fé, o que Deus pode fazer com sua personalidade. Não para te padronizar, mas para te purificar e te preparar para a missão.
Porque, ao final de tudo, não é sobre ser sanguíneo, colérico, melancólico ou fleumático. É sobre ser semelhante a Cristo. E Ele quer transformar sua personalidade — não para anular quem você é, mas para revelar, através de você, quem Ele é.
O Sanguíneo: Energia que Precisa de Direção
Personagem: Pedro
Texto base: Mateus 16 versos 16 a 23; Atos 2 versos 14 a 41; Atos 10 versos 28 e 29
Características do Temperamento Sanguíneo
O sanguíneo é extrovertido, impulsivo, entusiasta e comunicativo. Atrai naturalmente pessoas ao seu redor e geralmente é o centro das atenções. É caloroso, emotivo, mas também tende a ser inconstante, impulsivo e superficial em sua reflexão. A alegria e a intensidade o tornam carismático, porém instável. Ele vive de emoções, age antes de pensar e muitas vezes fala sem filtro.
Essas são, em parte, as marcas da personalidade do apóstolo Pedro. Ao longo dos Evangelhos, vemos um homem falante, intenso, impulsivo e contraditório. Ele é o primeiro a saltar do barco (literal e figurativamente), mas também o primeiro a afundar na dúvida. É aquele que ousa repreender o Mestre, mas também o que declara com fé: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16 verso 16).
Tim LaHaye observa:
“Pedro falava mais do que os outros discípulos e conversava com maior frequência com o Senhor. Era impulsivo demais, cheio de entusiasmo. Seu coração quente sempre lhe subia à boca e muitas vezes ele falava quando deveria ter ficado quieto”.
Pedro, o Sanguíneo das Escrituras
a) A impulsividade no falar
Pedro fala quando ninguém pediu. Na transfiguração (Mateus 17 verso 4), propõe fazer tendas para Moisés, Elias e Jesus – sem compreender a dimensão do momento. Em João 13 verso 8, ele diz que Jesus jamais lavaria seus pés, para depois, ao ser corrigido, pedir que lavasse tudo.
b) A impulsividade na ação
No Getsêmani (João 18 verso 10), ele arranca a espada e fere Malco, sem pensar nas consequências. Pouco depois, o mesmo Pedro negaria Jesus três vezes, dominado pelo medo.
c) O carisma e a liderança natural
Mesmo com seus altos e baixos, era Pedro quem naturalmente assumia a frente. Após a ressurreição, ele se torna o pregador do Pentecostes (Atos 2 versos 14 a 41), e mais tarde, o instrumento de alcance dos gentios na igreja (Atos 10 versos 28 a 48).
A Transformação pelo Espírito
O que acontece com Pedro é notável: o sanguíneo impulsivo se torna um líder firme e equilibrado, mas não deixa de ser Pedro. Deus não anulou seu temperamento, mas o redimiu. O mesmo Pedro que antes se exaltava, agora explica com mansidão os fatos aos irmãos (Atos 11 verso 4). Aquele que dormia em pânico, agora dorme em paz na prisão (Atos 12 verso 6). A impulsividade se converteu em ousadia espiritual.
Essa transformação se torna possível quando o Espírito Santo ocupa o centro da personalidade do crente. O controle da emoção dá lugar ao domínio próprio. A superficialidade dá lugar à sabedoria. A inquietação dá lugar à firmeza. Pedro é exemplo vivo de Gálatas 5 verso 22: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.
Como nos ensina Tim LaHaye:
“A mudança do nome de Pedro feita por Jesus é excelente exemplo do que Ele quer fazer por todo ser humano. O homem controlado pelo Espírito não deixará de ser ‘ele mesmo’, mas será modificado para glorificar a Deus”.
Aplicações Práticas
- Você é sanguíneo? Seu entusiasmo pode ser usado por Deus, mas precisa estar sob domínio espiritual. Submeta seu coração ao Senhor diariamente, pedindo discernimento antes de falar e agir.
- Líderes sanguíneos precisam de disciplina espiritual. Sem ela, a energia se dispersa, os relacionamentos são feridos e os frutos se perdem.
- Na igreja, precisamos dos sanguíneos. Eles são inspiradores, criativos, acolhedores — mas também precisam de cercas espirituais. Não para limitá-los, mas para direcioná-los.
O Colérico: Liderança que Precisa de Submissão a Deus
Personagem: Paulo
Texto base: Atos 9 versos 1 a 22; Filipenses 3 versos 4 a 14; Gálatas 5 versos 22 e 23
Características do Temperamento Colérico
O colérico é um líder nato. Sua principal força é a vontade férrea. Ele é prático, determinado, impetuoso e motivado por resultados. Não espera por outros: age, enfrenta, conquista. Mas esse mesmo impulso, quando não redimido, o torna intolerante, insensível, dominador e até mesmo cruel. A energia do colérico pode se tornar tirania, e sua convicção, orgulho espiritual.
Tim LaHaye explica:
“Paulo, antes de sua conversão, respirava ameaças e morte. Era implacavelmente cruel… Mas seu encontro com Jesus mudou a direção de sua liderança, sem diminuí-la. O Espírito Santo usou essa capacidade como força dinâmica para a glória de Cristo”.
Paulo, o Colérico das Escrituras
a) Zelo impetuoso
Antes de sua conversão, Paulo (Saulo) perseguia cristãos com uma fúria religiosa. Ele “respirava ameaças e morte” (Atos 9 verso 1). Sua convicção o fazia implacável com os que pensavam diferente.
b) Inteligência aliada à ação
Paulo era altamente intelectual (Filipenses 3 versos 4 a 6), mas não era um teórico passivo. Seu temperamento colérico o impulsionava à ação contínua. Após a conversão, ele prega com ousadia (Atos 9 verso 20), discute com os líderes (Atos 17 verso 17) e desafia o status quo até diante do imperador (Atos 25 verso 11).
c) Persistência redimida
A característica mais marcante de Paulo era a persistência. Mesmo quando advertido sobre perigos, manteve-se firme (Atos 21 verso 13). Seu colérico, agora redimido, o levava a suportar prisões, açoites e naufrágios, sem recuar (segunda Coríntios 11 versos 23 a 27).
A Transformação pelo Espírito
Apesar da força de vontade natural, Paulo precisava mais do que qualquer outro temperamento das virtudes do Espírito, como amor, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5 versos 22 e 23). Como afirma LaHaye:
“O colérico é, talvez por natureza, mais carente das características proporcionadas pela plenitude do Espírito do que os outros temperamentos”.
É no sofrimento que vemos a profundidade dessa transformação. Em Filipenses 4 versos 11 e 12, Paulo diz:
“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação… sei o que é passar necessidade e o que é ter fartura”.
Essas palavras, escritas na prisão, não viriam de um colérico não transformado. O colérico sem o Espírito é impaciente com limites. Mas Paulo havia sido quebrantado e moldado.
Aplicações Práticas
- Você se reconhece como colérico? Sua força pode ser um dom poderoso nas mãos de Deus — ou uma arma destrutiva, se usada sem sabedoria. Submeta sua vontade ao Espírito, como fez Paulo.
- Coléricos precisam de discipulado intencional. Eles não são fáceis de liderar, mas, quando bem pastoreados, tornam-se obreiros incansáveis.
- A igreja precisa de líderes coléricos redimidos. São eles que iniciam ministérios, enfrentam desafios e lideram transformações. Mas precisam cultivar humildade e graça.
O Melancólico: Sensibilidade que Precisa de Esperança
Personagem: Jeremias
Texto base: Jeremias 20 versos 14 a 18; Lamentações 3 versos 21 a 24; Jeremias 1 versos 4 a 10
O temperamento melancólico é o mais introspectivo e emocional. Ele é profundo, analítico, sensível, idealista e artístico. Seu senso de justiça é aguçado, sua busca por propósito é intensa, e sua compaixão, notável. Porém, essa mesma sensibilidade pode levar à autodepreciação, pessimismo, paralisia emocional e isolamento. O melancólico é o que mais sofre internamente – e o que mais luta para manter a esperança viva.
Tim LaHaye aponta:
“Esse temperamento é, de todos, o mais talentoso… mas, ao lado de seus dotes excepcionais, existem fraquezas igualmente complexas. Jeremias é um exemplo clássico do melancólico vocacionado por Deus, cujas lutas emocionais foram superadas pela presença divina”.
Jeremias, o Melancólico das Escrituras
a) Sensibilidade e vocação precoce
Deus chama Jeremias ainda jovem (Jeremias 1 versos 4 a 10), e ele responde com temor: “Ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque sou ainda um menino”. Esse tipo de insegurança é comum ao melancólico, que tende a se julgar incapaz, mesmo diante de uma clara vocação divina.
b) A dor da rejeição e o peso do ministério
Jeremias pregava a verdade, mas era ignorado, ridicularizado e perseguido. Ele foi espancado (Jeremias 2 verso 2), preso (Jeremias 37 verso 15) e rejeitado por seu povo. Em Jeremias 20 versos 14 a 18, chega a amaldiçoar o dia do seu nascimento, em profunda angústia:
“Maldito o dia em que nasci…”
c) A voz da esperança
Apesar da dor, Jeremias é também o profeta da nova aliança (Jeremias 31 versos 31 a 34) e da restauração (Jeremias 30 versos 1 a capitulo 31 verso 40). Em Lamentações 3 versos 21 a 24, ele escreve um dos mais belos testemunhos de fé:
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança: as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos…”
Esse versículo resume a tensão constante no melancólico: entre o abismo da dor e a luz da esperança.
🕊️ A Transformação pelo Espírito
A sensibilidade do melancólico é dom poderoso quando submetido ao Espírito. Jeremias foi sustentado não pela força da alma, mas pela presença constante de Deus:
“Não temas… porque eu sou contigo para te livrar” (Jeremias 1 verso 8).
Essa promessa é essencial para o melancólico: Deus não elimina sua sensibilidade, mas a fortalece com presença, propósito e perseverança.
Em Jeremias vemos que:
- Deus dá voz aos que choram.
- Deus transforma lágrimas em mensagens proféticas.
- Deus usa o sofrimento não para paralisar, mas para mobilizar com compaixão.
🙏 Aplicações Práticas
- Você é melancólico? Não veja isso como maldição. Sua sensibilidade é dom, mas precisa ser guardada no Espírito, não na alma. Reforce sua esperança na Palavra.
- A igreja precisa de melancólicos redimidos. São eles que sentem a dor do outro, enxergam profundezas, oram com compaixão e cantam com alma. São os “filhos do choro” – e Deus os escuta.
- Cultive a esperança como disciplina espiritual. Lamentações 3 verso 21 nos ensina que lembrar é um ato de fé. Traga à memória, diariamente, o caráter de Deus.
O Fleumático: Estabilidade que Precisa de Movimento
Personagem: Abraão
Texto base: Gênesis 12 versos 1 a 4; Gênesis 22 versos 1 a 18; Hebreus 11 versos 8 a 12 e capitulo 17 a 19
Características do Temperamento Fleumático
O fleumático é o temperamento mais estável e previsível. Pessoas assim são calmas, equilibradas, diplomáticas, confiáveis e conciliadoras. Gostam de rotina, evitam conflitos, são pacientes e observadoras. No entanto, tendem a ser passivas, indecisas, procrastinadoras e avessas a mudanças. Sua maior virtude – a tranquilidade – pode se tornar seu maior obstáculo, se não for ativada pela fé.
Tim LaHaye resume:
“Abraão jamais teria sido grande sem o poder transformador do Espírito Santo. Seus conflitos, devidos ao temperamento fleumático, fornecem durante toda a sua vida um exemplo ideal do que Deus pode fazer com um fleumático entregue à sua vontade e ao seu Espírito”.
Abraão, o Fleumático das Escrituras
a) Cautela e hesitação
Quando chamado por Deus, Abraão não saiu imediatamente. Em vez disso, fez uma parada em Harã (Gênesis 11 verso 31), permanecendo ali até que seu pai morresse. Essa hesitação inicial mostra a tendência fleumática de evitar rupturas e mudanças bruscas.
b) Passividade diante dos conflitos
Em Gênesis 16, vemos a influência de Sarai sobre Abraão: ela propõe que ele tenha um filho com Hagar, e Abraão “atendeu à proposta” (verso 2). Essa atitude passiva gerou um conflito duradouro entre Ismael e Isaque. O desejo de manter a paz a qualquer custo é típico do fleumático – mas pode custar caro.
c) Estabilidade e fé amadurecida
Em Gênesis 22, temos o ponto alto da fé de Abraão. Deus pede que ele sacrifique Isaque. Sem contestar, ele obedece. Esse ato exige uma fé madura e ativa. O mesmo homem que antes hesitava e se acomodava agora age com prontidão e confiança, mesmo em algo humanamente incompreensível.
Hebreus 11 versos 17 a 19 nos revela seu pensamento:
“Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque… porque considerava que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos.”
Abraão aprendeu que a verdadeira paz vem da obediência, não da acomodação.
🕊️ A Transformação pelo Espírito
O fleumático transformado continua sendo pacificador, mas agora é movido por fé e não por conforto. Abraão, que antes adiava, agora se antecipa em obedecer. Aquele que evitava riscos, agora se lança confiando na provisão divina:
“Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (Gênesis 22 verso 8).
Essa transformação mostra como Deus não muda nosso temperamento, mas transforma seu uso e o enche de fé ativa.
🙏 Aplicações Práticas
- Você se reconhece como fleumático? Sua calma é dom precioso, mas não pode ser desculpa para inércia. Deus não nos chamou para vivermos em Harã. Obedeça sem demora.
- Fleumáticos precisam de provocações espirituais. Se não forem constantemente estimulados, se acomodam – mesmo sabendo o que é certo.
- A igreja precisa de fleumáticos cheios de fé. São eles que trazem equilíbrio nas crises, constância nos bastidores e firmeza nas decisões. Quando ativados pelo Espírito, são colunas do Corpo de Cristo.
A Obra do Espírito: Como Ele Transforma os Temperamentos
Texto base: Gálatas 5 versos 22 a 23
“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.”
O Espírito Santo: Agente de transformação do caráter
A personalidade humana é formada por tendências, traços herdados e hábitos cultivados. Mas o caráter cristão é o resultado da ação sobrenatural do Espírito Santo na vida do crente. Conforme ensina a doutrina bíblica, “o caráter do homem espiritual, que permite que o Espírito Santo guie sua vida, é inteiramente diferente do homem natural”.
Essa transformação não se dá por força de vontade nem por mera educação moral. É fruto da regeneração e do novo nascimento, processo contínuo chamado de santificação. Esse processo exige cooperação ativa do cristão com o Espírito de Deus. O apóstolo Paulo afirma:
“Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gálatas 5 verso 16).
O Fruto do Espírito: Força para cada fraqueza
Tim LaHaye desenvolve uma ideia poderosa: cada traço do fruto do Espírito corrige uma fraqueza natural dos temperamentos. Deus não anula nossa personalidade, mas oferece uma virtude espiritual específica para compensar e corrigir os extremos de cada tipo:
- Sanguíneos precisam de domínio próprio para equilibrar a impulsividade;
- Coléricos precisam de mansidão e amor para domar o controle;
- Melancólicos precisam de alegria e fé para vencer a negatividade;
- Fleumáticos precisam de longanimidade e bondade ativa para vencer a passividade.
Esse fruto não é múltiplo – é um só fruto, com vários aspectos, que se desenvolvem conjuntamente na vida do cristão cheio do Espírito.
Como o Espírito age
Segundo a doutrina bíblica:
“Andar no Espírito subentende que o indivíduo depende continuamente d’Ele, crendo que Ele o ajudará a andar corretamente em qualquer área da vida”.
Esse andar é um processo diário, constante. A plenitude do Espírito não é um evento único, mas uma prática contínua. Como ensina Efésios 5 verso 18: “…deixem-se encher pelo Espírito.”
Assim, o Espírito não impõe mudanças – Ele convida, exorta, conduz, fortalece e capacita. O papel do cristão é ceder, render-se, desejar e cooperar.
🔄 Temperamento moldado para a missão
Pedro tornou-se pregador ousado. Paulo, servo humilde. Jeremias, profeta da esperança. Abraão, patriarca obediente. Todos foram transformados porque o Espírito operou em seus temperamentos, não contra eles, mas através deles.
A proposta de Deus não é nos tornar neutros ou genéricos, mas sim fazer com que nossas características individuais sejam purificadas, alinhadas e capacitadas para refletir o caráter de Cristo.
🙏 Aplicações Práticas
- Busque o Espírito diariamente. O fruto não nasce de si mesmo, ele é produzido pelo relacionamento com o Espírito (João 15 versos 4 e 5).
- Reconheça sua fraqueza e nomeie sua necessidade. Se você é explosivo, peça domínio próprio. Se é frio, peça amor. Se é passivo, peça fervor. Se é pessimista, peça alegria.
- Cultive hábitos espirituais. O fruto amadurece por meio da Palavra, oração, comunhão e obediência. Não há “atalhos” para uma personalidade transformada – há caminhos de santidade.
Da Personalidade à Vocação: A Nova Criatura que Vive para Glorificar a Deus
Texto base: segunda Coríntios 5 verso 17
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
Personalidade não é destino
A sociedade pós-moderna ensina que devemos “aceitar quem somos” e viver “segundo nossa verdade interior”. Mas o Evangelho nos ensina algo radicalmente oposto: nascemos de novo para sermos moldados à imagem de Cristo. O que éramos antes de Cristo foi crucificado com Ele (Gálatas 2 verso 20). Portanto, não somos mais definidos por traços herdados, cultura familiar ou temperamento natural.
A Bíblia não ignora quem fomos, mas afirma que tudo se fez novo (segunda Coríntios 5 verso 17). Isso inclui nossos desejos, reações, forma de pensar, relacionar-se e até mesmo servir.
O novo nascimento como ruptura espiritual
De acordo com a doutrina bíblica, o novo nascimento é uma regeneração, operada pelo Espírito Santo. Somos transformados interiormente e recebemos uma nova natureza – não apenas para sermos salvos, mas para viver uma nova vida com propósito eterno:
“Quando vimos para Deus com arrependimento e fé, nascemos espiritualmente. Tornamo-nos uma nova criatura… Esta experiência é chamada de regeneração pelos teólogos”.
Essa regeneração não remove nossa personalidade, mas a liberta. A ira do colérico, o medo do fleumático, o drama do melancólico e a impulsividade do sanguíneo são redirecionados pela nova natureza em Cristo.
De personalidade para vocação
Cada temperamento carrega consigo dons potenciais:
- Sanguíneos são comunicadores;
- Coléricos, líderes;
- Melancólicos, analistas e cuidadores;
- Fleumáticos, estabilizadores.
Mas quando estes dons não são rendidos à cruz, se tornam obstáculos. Quando submetidos a Cristo, tornam-se instrumentos da vocação divina. Tim LaHaye afirma:
“O Espírito Santo tem um propósito para cada cristão. É Ele quem deve motivá-lo”.
Esse propósito é mais do que ministério – é glorificar a Deus com tudo o que somos.
🧎 Transformação contínua até a glorificação
A transformação do cristão é um processo que culminará na glorificação futura, mas já deve ser visível no presente. Não é possível ser nova criatura e viver segundo os padrões antigos. O apóstolo Paulo ensina:
“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4 verso 24).
Essa renovação é alimentada pela Palavra, oração, comunhão com os santos e prática de vida submissa ao Espírito. Quando isso acontece, a personalidade não desaparece – ela é elevada a um novo nível de propósito e graça.
🙏 Aplicações Práticas
- Cristo te fez novo — viva como novo. Não aceite mais as limitações do “meu jeito de ser”. Você foi criado para refletir o caráter de Cristo.
- Sua vocação depende da sua transformação. Deus quer te usar, mas primeiro quer te moldar. Não tenha medo de ser trabalhado.
- Renda-se completamente. A transformação só é real quando o controle passa das suas mãos para as mãos de Deus.
✅ Personalidade Redimida: A Nova Criatura para a Glória de Deus
Texto base: segunda Coríntios 5 verso 17
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
Vimos que Deus não apaga a nossa personalidade ao nos regenerar – Ele a transforma. O colérico continua com sua força de vontade, mas agora sob domínio do Espírito. O melancólico continua sensível, mas agora sustentado pela esperança. O sanguíneo ainda é intenso, mas aprende o domínio próprio. O fleumático continua pacificador, mas agora se move pela fé.
Esses homens bíblicos – Pedro, Paulo, Jeremias, Abraão – não foram “personalidades perfeitas”, mas personalidades redimidas. Suas falhas não desapareceram por mágica, mas foram progressivamente submetidas ao Senhor. O que os tornou úteis ao Reino não foi sua natureza, mas sua submissão ao Espírito.
O versículo de segunda Coríntios 5 verso 17 não é apenas uma promessa – é uma realidade espiritual. Quando alguém está em Cristo, ele é feito uma nova criatura, não no corpo físico, mas na essência do ser: seu espírito é recriado, seu propósito é redimensionado, e sua missão é reenviada sob uma nova ótica.
Hans K. LaRondelle ressalta que essa nova vida nos chama à cooperação com o Espírito, não apenas à contemplação da graça:
“A santificação não é menos, porém muito mais do que uma simples renovação moral! O batismo faz recair sobre o crente a sagrada responsabilidade de manifestar deliberadamente a realidade oculta de sua morte para o pecado por meio de uma vida santificada sob o poder do Rei Jesus”.
Portanto, dizer “eu sou assim mesmo” não pode mais ser um escudo do cristão. A cruz nos chama a morrer para nós mesmos, e isso inclui morrer para o “meu jeito”, “minha mania”, “meu temperamento”. O novo nascimento nos entrega uma identidade mais profunda do que qualquer traço natural: a imagem de Cristo em nós.
Na prática, isso significa que:
- O Espírito Santo tem liberdade para corrigir hábitos arraigados;
- A Palavra de Deus redefine o que é aceitável no comportamento cristão;
- A comunhão com a igreja nos oferece o contexto de confronto, apoio e cura.
A educação cristã, como ensinada pelos princípios bíblicos, reforça que não há crescimento espiritual autêntico sem transformação de caráter. Ela nos lembra que o propósito final da fé não é apenas salvação, mas santidade e maturidade para glorificar a Deus em toda forma de ser e viver.
Esse é o destino de toda personalidade regenerada: refletir Cristo. Não o Cristo de uma teoria teológica, mas o Cristo vivo – que ama, corrige, lidera, consola, fala, silencia, sofre e vence.
Talvez você tenha se identificado com traços que o limitam. Você se viu em Pedro, falando antes de pensar. Em Paulo, liderando sem ouvir. Em Jeremias, chorando e querendo desistir. Em Abraão, hesitando antes de obedecer.
Deus conhece cada detalhe da sua personalidade. Ele mesmo te criou – mas não te deixou como estava. Ao te dar o Espírito Santo, Ele te deu não apenas poder, mas propósito. O Espírito quer formar Cristo em você.
Então, aqui está o convite:
Renda-se. Pare de justificar seu temperamento como desculpa.
Ore. Peça ao Senhor que te mostre o que precisa ser transformado.
Submeta-se. Seja discipulado, ensinado, corrigido.
Movimente-se. Deus quer usar exatamente quem você é – mas de forma redimida.
Porque a verdadeira glória da nova criatura não é ser admirada por seus dons naturais, mas ser testemunha viva do poder do Espírito que transforma o barro em vaso de honra.
📚 Referências Bibliográficas
- SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de Estudo Almeida: revista e atualizada. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
- LaHAYE, Tim. Temperamentos transformados: como Deus pode transformar os defeitos do seu temperamento. Tradução de Elizabeth Stowell Charles Gomes. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.
- LOPES, Edson Pereira. Fundamentos da teologia da educação cristã. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.
- LARONDELLE, Hans K. O que é salvação: o que Deus faz por nós e em nós. Tradução de Francisco Alves de Pontes. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999.
- WOODWORTH Jr., Floyd C.; DUNCAN, David D. Doutrina bíblica: fundamentos da verdade. Lisboa: Instituto de Correspondência Internacional, 2006.
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