Como eram as sinagogas para seus visitantes na Antiguidade? Tradicionalmente, a arqueologia focou na arquitetura e nas estruturas desses edifícios. No entanto, estudos recentes, como os da professora Karen B. Stern, voltaram-se para uma questão mais pessoal: como esses espaços sagrados eram “sentidos” através da visão, do olfato e da audição.

A Sinagoga como Centro de Vida

Após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C., as sinagogas tornaram-se o coração da vida social e religiosa das comunidades judaicas no Mediterrâneo. Na Antiguidade Tardia (séculos IV-VII), esses locais não eram apenas espaços de oração, mas centros de aprendizado e convivência comunitária. Mas, além do esplendor dos mosaicos, eram os pequenos objetos do cotidiano que definiam a experiência espiritual.

Luz e Aroma no Espaço Sagrado

A iluminação desempenhava um papel crucial, especialmente nas reuniões realizadas ao amanhecer ou entardecer. Arqueólogos encontraram fragmentos de menorás de pedra e bronze, além de lustres de metal com tigelas de vidro para óleo.

Menorá de Hammath Tiberíades

Menorá de Hammath Tiberíades, com depressões para pavios e óleo.

Em Hammath Tiberíades, por exemplo, uma menorá de pedra bem preservada mostra depressões no topo que serviam para conter pavios e óleo, iluminando o ambiente com uma luz suave e oscilante.

O olfato também era estimulado. Embora o sacrifício de animais tenha cessado com o Templo, evidências sugerem que muitas comunidades continuaram a usar incenso e produtos aromáticos. Achados como pás de incenso de bronze e queimadores ornamentais indicam que o perfume era parte integrante da devoção.

Pá de Incenso de Bronze

Pá de incenso do período romano, usada para manusear produtos aromáticos.

Conclusão

Essas visões e cheiros não apenas moldavam o sentimento de santidade, mas ajudavam a constituir a experiência do sagrado em um nível prático. Nas sinagogas antigas, onde a oração envolvia o corpo e a mente, a luz e o perfume funcionavam sinergicamente para unir o funcional ao devocional, o passado ao presente, transformando o mundano em sagrado.

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Baseado nas pesquisas de Karen B. Stern, professora do Brooklyn College (CUNY), publicadas na Biblical Archaeology Review.