Porque Sofremos?
Texto base: 1ª Samuel 4
Tema Central: A Soberania de Deus no Sofrimento do Seu Povo, e a Prefiguração do Resgate de Cristo na Exclusão.
²¹ E chamou ao menino Icabode, dizendo: De Israel se foi a glória! Porque a arca de Deus foi tomada, e por causa de seu sogro e de seu marido.
²² E disse: De Israel a glória é levada presa; pois é tomada a arca de Deus
(1ª Samuel 4 versos 21 e 22)
Introdução
Amados irmãos, estamos diante do primeiro livro de Samuel, em um período de infidelidade generalizada na história de Israel, onde cada um fazia o que era reto aos seus próprios olhos. Israel, embora fosse o povo da aliança, vinha tratando o Senhor de maneira muito destreita. Neste capítulo, veremos a tragédia que se abate sobre a nação e a casa do sacerdote Eli, um evento que culmina na amarga declaração: “Foi-se a glória de Israel” (Icabô).
A situação é grave: Israel enfrenta os filisteus. O sumo sacerdote, Eli, fazia vista grossa para as perversidades de seus filhos, Hofni e Fineias. Deus já havia enviado um profeta para avisar que a linhagem de Eli sangraria.
A pergunta que ecoa é: Por que o nosso Rei permite que sangremos?. A essência desta mensagem é que a desobediência do povo de Deus pode trazer sérias consequências, mas Deus se coloca em nosso favor pela Sua graça, ainda que nos faça sangrar.
Desenvolveremos nossa meditação em três tópicos, seguindo a linha de raciocínio da mensagem:
Deus, Muitas Vezes, Sim, Permite que o Seu Povo Sofra.
- A Derrota e o Reconhecimento (v. 1-3a)
1. Israel sai à peleja contra os filisteus e se acampa junto a Ebenézer. Os filisteus se dispõem em ordem de batalha e Israel é derrotado, com a perda de cerca de 4.000 homens no campo aberto.
2. Voltando ao arraial, os anciãos de Israel — os chefes e representantes do povo, perguntam: Por que nos feriu o SENHOR hoje diante dos filisteus?.
3. Eles demonstram um entendimento fundamental: nas batalhas da vida, sempre vence quem Deus quer que vença. A força militar não era capaz de lidar com o Senhor, o que ficou claro desde o Êxodo (Faraó e Mar Vermelho).
4. O povo de Deus precisa aprender que a destruição pode vir dos inimigos, mas, em última instância, é o Senhor que permite que a gente sangre. Não servimos a um Deus incapaz ou desatento. Por vezes, Deus permite o sofrimento, e Ele insiste que, mesmo quando isso ocorre, é para o nosso bem, do jeito que Ele define.
- O Erro da Solução Simplista e a Tentativa de Manipulação (v. 3b-4)
- Em vez de examinarem a própria conduta, os anciãos propõem: “Tragamos de Siló a Arca da Aliança do SENHOR, para que venha no meio de nós e nos livre das mãos dos nossos inimigos”.
- Eles deveriam ter considerado que o sangramento era resultado da infidelidade e da idolatria, uma das punições claramente estabelecidas na Lei (Levítico 26, Deuteronômio 28) para quando o povo fosse desobediente e idólatra.
- O que eles fazem é uma tentativa de forçar a mão de Deus, tratando a Arca como um amuleto. Pensam: “se a gente levar a arca e a gente perder, aí quem perdeu foi ele, e a desonra vai ser dele…”.
- Eles violaram o pacto (a aliança) e a postura correta seria o arrependimento e o retorno ao Senhor.
Deus Nunca Deve Ser Tratado como um Mero Poder em Nosso Serviço.
- O Júbilo e a Confiança Supersticiosa (v. 5-7)
- Ao trazerem a Arca da Aliança do Senhor dos Exércitos, entronizado entre os querubins, todo o Israel irrompe em grandes brados. O barulho é tão grande que até os filisteus ficam preocupados.
- O povo de Israel pensa que a Arca é um amuleto ou uma força a ser dominada por magia ou superstição, obrigando Deus a agir. Eles confundiram o objeto (Arca) com a presença e o poder do Senhor, que só se manifesta pela Sua vontade.
- Não há pressão que faça Deus mudar os Seus planos; Ele é indomável.
- A Utilização de Práticas Sadias para Fins Errados
- O povo tenta “botar Deus contra a parede”, uma atitude que se manifesta quando usamos práticas piedosas, como a frequência à igreja, o dízimo ou a oração, com o objetivo errado de manipular Deus para que abençoe nossos planos malucos ou resolva problemas do jeito que desejamos.
- Essas práticas (como a oração, a frequência à igreja, o estudo bíblico) servem para O conhecermos e servi-Lo. Devemos chegar a Deus em aperto, sem condicionar nosso amor ou obediência à resolução de problemas segundo o nosso desejo.
- A Grande Culpa e o Julgamento Iminente
- A liderança desta campanha estava nas mãos de Hofni e Fineias, os filhos de Eli. Eles eram homens perversos (filhos de Belial), cujo pecado era muito grande perante o SENHOR, pois desprezavam a oferta.
- Eles extorquiam e ameaçavam o povo. O próprio Eli, embora juiz de Israel por 40 anos, honrou mais a seus filhos do que ao Senhor.
- Eles são derrotados; desta vez, a surra é dez vezes pior em termos de perda humana.
Deus Usa as Nossas Tragédias para os Seus Planos.
- A Destruição e a Perda da Glória (v. 11-18).
- A tragédia é tripla: Hofni e Fineias são mortos, a Arca de Deus é tomada e Eli morre ao receber a notícia. O juiz dos últimos 40 anos, velho e pesado, cai e quebra o pescoço ao ouvir que a Arca de Deus foi tomada.
- Deus estava, de fato, cumprindo a promessa que fizera de fazer a linhagem de Eli sangrar. A iniquidade da casa de Eli não seria expiada nem com sacrifício nem com oferta de manjares.
- A nora de Eli e esposa de Fineias dá à luz e, ao expirar, nomeia o menino de Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel. Ela lamenta que a Arca de Deus (a presença do Senhor, a glória) foi tomada.
- O Resgate Através da Exclusão
- A moça tem a visão limitada de que Deus está desonrado, mas o Senhor está, na verdade, desvencilhando o Seu nome dos manipuladores.
- A despeito da infidelidade de Israel (que deveria ter sido levado ao exílio), o Senhor, simbolicamente, é quem vai para o exílio (a Arca é tomada).
- Isso revela a disposição de Deus de Ele mesmo passar pela vergonha e exclusão em lugar do Seu povo.
- Esta tragédia de 1ª Samuel 4 prefigura o plano de salvação em Cristo:
- Quando o Templo encarnado (Jesus Cristo) foi morto, foi um ato de Deus, não apenas dos romanos.
- Jesus Cristo foi levado fora do arraial, tomando sobre si a maldição e a culpa do Seu povo idólatra e rebelde, morrendo em nosso lugar.
- Onde muitos diriam na cruz “Foi-se a glória do Senhor” (Icabô), Deus estava executando um plano de resgate feito antes da fundação do mundo.
- Em última análise, Deus estava usando o sangramento de Israel para cumprir Seu plano e, por meio de Samuel, que crescia no favor de Deus, introduzir um novo tempo de liderança e comunicação com o povo.
Conclusão e Apelo ao Arrependimento
Vemos, pois, que Deus não se dobra às nossas manipulações, mas usa o sofrimento e a tragédia para cumprir Seus desígnios.
- Abandone a Postura de Manipulação e Idolatria:
Israel tentou usar a Arca, algo bom e santo, para forçar a mão de Deus. Nós também somos culpados de nos desviarmos do caminho, servindo a outros deuses (sejam eles objetos, sucesso, ou mesmo práticas religiosas transformadas em magia). Não vos desvieis, pois seguiríeis coisas vãs, que nada aproveitam e tampouco vos podem livrar, porque vaidade são. Longe de vós o abandonardes o SENHOR para servir a outros deuses.
- Humilhe-se Sob a Soberania de Deus:
O Senhor é quem te tirou da terra do Egito, da casa da servidão, com mão poderosa. Ele é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados se persistirdes.
Circuncidai, pois, o vosso coração, e não endureçais a vossa cerviz. Se o teu coração incircunciso se humilhar, e tomares por bem o castigo da tua iniquidade, o Senhor se lembrará de Sua aliança e terá misericórdia.
- Volte-se ao Senhor de Todo o Coração:
Nossa vida deve ser um amor a Deus de todo o coração e de toda a alma, servindo-O fielmente.
A Escritura nos exorta: “Olha, pois, a vida e a morte te propus, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida”.
Agradecemos ao Senhor, pois, na nossa pior tragédia e sangramento, Ele não nos desamparou. No pior dia da humanidade, na cruz, o momento mais terrível, Ele mesmo, o Templo Encarnado, sangrou em nosso lugar, e por meio daquele resgate, alcançamos o perdão e a remissão dos nossos pecados.
Tão-somente, pois, temei ao SENHOR e servi-O fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez.
Amém.
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Atenciosamente, Márcio M Santos
Redator
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