Versões de Bíblias Brasileiras e Suas Bases Textuais
O cenário bíblico brasileiro apresenta uma rica diversidade de traduções, cada uma com suas características específicas e bases textuais distintas. Como pastores e líderes reformados, é fundamental compreendermos as diferenças entre essas versões e as controvérsias que envolvem algumas traduções contemporâneas. Este módulo final aborda questões práticas e contemporâneas que afetam diretamente o ministério pastoral e o ensino bíblico no Brasil.
A escolha de uma tradução bíblica não é meramente uma questão de preferência pessoal, mas envolve considerações teológicas, textuais e pastorais importantes. Cada versão reflete decisões hermenêuticas e pressupostos teológicos que podem impactar significativamente a compreensão e aplicação das Escrituras.
A Tradição de João Ferreira de Almeida
A tradição de tradução bíblica no Brasil está profundamente enraizada no trabalho pioneiro de João Ferreira de Almeida (1628-1691), missionário português que dedicou sua vida à tradução das Escrituras. Sua obra tornou-se a base para as principais versões em português utilizadas no Brasil evangélico.
Almeida Corrigida Fiel (ACF)
- Base Textual: Textus Receptus (TR) para o Novo Testamento e o Texto Massorético para o Antigo Testamento.
- Características: A ACF é conhecida por sua estrita adesão ao Textus Receptus, sendo considerada por muitos defensores dessa linha textual como a mais fiel e confiável tradução em português, com uma linguagem mais arcaica. É a preferida por algumas denominações e grupos que defendem a supremacia do TR.
- Considerações: Por ser baseada no TR, ela pode conter algumas passagens ausentes ou diferentes em traduções baseadas no Texto Crítico (como 1 João 5.7-8, o Comma Johanneum, ou o final longo de Marcos 16.9-20).
Almeida Revista e Corrigida (ARC)
- Base Textual: Embora tenha suas raízes na tradução de João Ferreira de Almeida (que usou o TR), as revisões posteriores da ARC incorporaram algumas leituras do Texto Crítico, mas de forma mais conservadora que a ARA.
- Características: É uma das versões mais tradicionais e amplamente utilizadas no Brasil, com uma linguagem que, embora mais antiga que a ARA, ainda é compreensível para muitos. Por vezes, é criticada por não ter o mesmo rigor textual de outras versões mais recentes baseadas em pesquisas textuais mais amplas.
Almeida Revista e Atualizada (ARA)
- Base Textual: Baseada nas edições mais recentes do Texto Crítico (como as edições da United Bible Societies – UBS, e Nestle-Aland – NA28) para o Novo Testamento, e no Texto Massorético para o Antigo Testamento.
- Características: Foi, por muito tempo, uma das versões acadêmicas mais respeitadas no Brasil. É considerada uma tradução de equivalência formal, o que significa que busca traduzir palavra por palavra sempre que possível, mantendo a estrutura original do hebraico e do grego. É muito utilizada em seminários, estudos aprofundados e pregações.
Nova Almeida Atualizada (NAA)
- Base Textual: Também baseada nas edições mais recentes do Texto Crítico (UBS, Nestle-Aland – NA28).
- Características: É uma atualização da ARA, lançada em 2017, com o objetivo de modernizar a linguagem, tornando-a mais fluida e compreensível para o leitor contemporâneo, sem perder a fidelidade ao texto-base. Houve a remoção de mesóclises e a substituição de pronomes arcaicos (“tu/vós” para “você/vocês”). É elogiada por sua clareza e fidelidade, mas, como se baseia no Texto Crítico, compartilha das mesmas críticas que outras versões com essa base textual (ver controvérsia TR vs. Texto Crítico abaixo).
Nova Versão Internacional (NVI)
- Base Textual: Baseada nas edições mais recentes do Texto Crítico (Sociedades Bíblicas Unidas).
- Características: A NVI original (lançada em português em 2000) foi o resultado de um trabalho colaborativo de uma comissão diversificada de eruditos de diferentes denominações. É conhecida por sua abordagem contemporânea e fluidez, buscando uma equivalência dinâmica em alguns pontos para tornar o texto mais natural na leitura, mas ainda mantendo grande fidelidade ao sentido original. É muito popular em diversas igrejas por sua linguagem acessível e clara.
Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)
- Base Textual: Texto Crítico (UBS, Nestle).
- Características: É uma tradução de equivalência dinâmica, com foco em um vocabulário restrito e frases mais simples para facilitar o entendimento por parte de novos convertidos, crianças e pessoas com menor escolaridade. É amplamente utilizada em ações de evangelização e leitura devocional simplificada. Por ser uma paráfrase em alguns pontos, não é recomendada para estudo exegético aprofundado, pois o foco na “ideia” pode sacrificar a exatidão palavra por palavra.
Bíblia A Mensagem
- Base Textual: Não é uma tradução das línguas originais, mas uma paráfrase. Eugene Peterson reescreveu a Bíblia a partir de diversas traduções em inglês, buscando expressar o texto em linguagem cotidiana e coloquial.
- Propostas e Perigos: Sua proposta é tornar a Bíblia “mais viva” e acessível ao leitor moderno, com uma linguagem que se assemelha a um romance. O perigo, contudo, reside exatamente no fato de ser uma paráfrase. Por ser uma interpretação pessoal do tradutor/reescritor, ela carece da precisão e fidelidade ao texto original que se espera de uma tradução. Não é adequada para estudo doutrinário ou exegético, pois a subjetividade pode levar a desvios do sentido bíblico. Deve ser usada, se muito, como um complemento devocional leve, nunca como fonte primária para doutrina.
Outras Traduções Relevantes
- Bíblia Trinitária (1883): Uma tradução mais antiga em português, baseada no Textus Receptus de 1624. Possui uma linguagem bastante arcaica e, segundo alguns críticos, apresenta alguns deslizes gramaticais e de tradução.
- Almeida Século 21: Uma revisão da Almeida, buscando modernizar a linguagem, mas com uma abordagem textual mais conservadora.
- King James Atualizada (KJA): Tradução que busca seguir a tradição da King James Version em inglês, com linguagem mais atualizada.
A Controvérsia TR vs. Texto Crítico
A escolha do texto-base é um dos pontos mais debatidos no cenário das traduções bíblicas.
Defensores do Textus Receptus (TR): Argumentam que o TR, embora baseado em manuscritos mais recentes, representa a linhagem textual mais pura e providencialmente preservada, refletindo o texto que a Igreja sempre utilizou ao longo dos séculos. Para eles, as alterações propostas pelo Texto Crítico são “omissões” ou “corrupções” que comprometem a integridade da Palavra de Deus.
Defensores do Texto Crítico (TC):
A vasta maioria dos estudiosos e eruditos bíblicos hoje adota o Texto Crítico como a base mais confiável para as traduções. A razão é simples: o TC se baseia em um número infinitamente maior de manuscritos, muitos deles muito mais antigos e, portanto, mais próximos dos autógrafos. A crítica textual, ao comparar esses manuscritos, busca reconstruir o texto original com maior precisão científica. Embora reconheçam a existência de variantes, a maioria delas é de pouca importância, e as maiores não afetam doutrinas essenciais.
É importante que o crente entenda que, independentemente da base textual escolhida, Deus tem providencialmente preservado Sua Palavra. As diferenças entre as versões, embora existam, geralmente não alteram as verdades centrais da fé cristã. A escolha de uma Bíblia pode ser guiada pela finalidade (estudo aprofundado, leitura devocional, evangelização) e pela preferência pessoal de estilo, sempre buscando uma versão que seja fiel aos idiomas originais.
Questões para Aplicação Pessoal:
- Qual versão da Bíblia você mais utiliza e por quê? Sua compreensão das bases textuais altera sua percepção sobre ela?
- Como você pode usar as diferentes versões da Bíblia de forma complementar para seu estudo, sem cair em confusões?
Polêmicas: NVI Revisada 2023, Nova Almeida Atualizada, Bíblias de Linguagem Inclusiva
O cenário das traduções bíblicas no Brasil, embora abençoado pela diversidade, é também palco de constantes debates e polêmicas. As revisões de versões consagradas e o surgimento de novas propostas de tradução frequentemente geram discussões acaloradas, especialmente quando se tocam em questões de fidelidade textual e alinhamento teológico. Vamos abordar algumas dessas polêmicas recentes, com foco na perspectiva reformada.
NVI Revisada 2023 (NVI.23)
A Nova Versão Internacional (NVI), lançada no Brasil no início dos anos 2000, rapidamente se tornou uma das Bíblias mais populares, reconhecida por sua linguagem contemporânea, clareza e pelo trabalho de uma comissão de eruditos de alta expressão e diversidade teológica e denominacional.
Em 2023, uma nova revisão da NVI foi lançada, gerando um contexto de polêmica e insatisfação em alguns setores da comunidade evangélica.
- Contexto da NVI Original: A NVI foi concebida para ser uma tradução de “equivalência dinâmica” que também buscava a “equivalência formal” quando possível, resultando em uma linguagem fluida e acessível, mas ainda fiel aos originais. O time de tradução e revisão era vasto e representava um amplo espectro da erudição evangélica.
- Críticas à Revisão 2023: As polêmicas surgiram devido a alterações que, segundo os críticos, não seguiram a mesma sintonia da proposta original. Algumas críticas incluem:
- Mudanças em pesos e medidas: Houve substituições de termos bíblicos por equivalentes modernos (ex: “côvado” por “centímetros”, “talento” por “quilos de prata”). Embora a intenção seja facilitar a compreensão, muitos argumentam que isso pode diluir o sentido original e a experiência de imersão no texto bíblico, além de ser uma paráfrase e não uma tradução. Como a “Bíblia de Estudo Almeida” nos informa, o côvado em Ezequiel 43 verso 13 equivale a 51,8 cm (Bíblia de Estudo Almeida, p. 2946). Tais substituições diretas eliminam a necessidade de o leitor pesquisar o contexto histórico-cultural.
- Possível falta de representatividade: Há alegações de que a comissão revisora de 2023 não possuía a mesma diversidade e peso acadêmico que a equipe original, gerando dúvidas sobre a profundidade e o consenso nas decisões de revisão.
- Distanciamento do coordenador original: O Teólogo Dr. Luiz Sayão, que foi o coordenador da NVI original em português, expressou seu distanciamento do novo projeto, indicando que as alterações não refletiam o espírito da primeira empreitada.
Em essência, a polêmica da NVI.23 reside na percepção de que a revisão se afastou de um equilíbrio entre fidelidade e clareza, pendendo mais para a acessibilidade em detrimento da precisão em certos detalhes e da contextualização histórica.
Nova Almeida Atualizada (NAA) e Crítica Textual
A Nova Almeida Atualizada (NAA), como já mencionamos, é uma modernização da Almeida Revista e Atualizada (ARA), publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Sua principal proposta foi atualizar a linguagem da ARA, eliminando arcaísmos e tornando-a mais fluida para o leitor contemporâneo, enquanto mantinha a fidelidade ao Texto Crítico (UBS, Nestle) como base textual.
- A Polêmica da Base Textual: A principal controvérsia em torno da NAA não é tanto sobre sua linguagem, que é geralmente bem recebida, mas sobre sua adesão exclusiva ao Texto Crítico. Para os defensores do Textus Receptus (TR), a NAA, por se basear no TC, é vista como um “texto de menor qualidade” ou com “contaminação” por “omitir” ou “alterar” versículos presentes no TR. Embora a academia bíblica concorde que o TC é superior devido ao número e à antiguidade dos manuscritos que o apoiam, essa divergência textual continua sendo um ponto de atrito.
- Uso de Colchetes: A NAA introduz o uso de colchetes [ ] para indicar material que não se encontra nos manuscritos considerados mais antigos e confiáveis. Exemplos clássicos são João 8 versos 1 a 11 (a mulher adúltera) e João 5 versos 3b e 4 (o anjo agitando a água), que aparecem entre colchetes. Isso é visto por alguns como “pôr em dúvida” os “melhores textos” ou “remover” partes da Bíblia. Contudo, essa é uma prática padrão na crítica textual para informar o leitor sobre a natureza das variantes, permitindo que ele saiba quais leituras têm menor suporte manuscritológico antigo.
- Avaliação Reformada: Para a teologia reformada, que adota o método gramático-histórico e a crítica textual como ferramentas para buscar o texto mais próximo do original, a NAA é geralmente vista como uma tradução valiosa e confiável. A modernização da linguagem é considerada um avanço que facilita a compreensão para o leitor contemporâneo, tornando-a uma “aliada para pregar a palavra de Deus“, desde que se compreendam os princípios de sua base textual.
Bíblias com Linguagem Inclusiva
Esta é, sem dúvida, a polêmica mais grave e teologicamente perigosa no cenário das traduções, pois afeta diretamente a autoridade, inerrância e santidade da Palavra de Deus.
- Identificação: “Bíblias com linguagem inclusiva” aqui se refere especificamente a versões que modificam deliberadamente o texto bíblico para “satisfazer“, “acomodar” ou “suavizar” passagens que abordam comportamentos considerados pecado por uma perspectiva bíblica tradicional, especialmente em relação à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais). Essas versões surgem de uma agenda ideológica que busca reinterpretar ou mesmo alterar o texto para que se alinhe a conceitos contemporâneos de moralidade e identidade, em vez de permitir que a Bíblia molde esses conceitos.
- Visão Reformada, Rejeição Categórica: A teologia reformada, com sua profunda reverência pela autoridade e integridade da Escritura, rejeita categoricamente essas versões. Modificar o texto bíblico para adequá-lo à ideologias contemporâneas é considerado uma alteração da verdade divina, uma violação direta do caráter inerrante e infalível da Palavra de Deus. Isso não é uma tradução, mas uma reescrita com base em pressupostos não-bíblicos.
- Argumentos Bíblicos: A Escritura é clara sobre a natureza do pecado e a moralidade sexual.
- Gálatas 5 versos 19 a 21 lista as “obras da carne“, que incluem “prostituição, impureza, lascívia… bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas”, e adverte que “os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus.”
- Romanos 1 versos 21 a 32 descreve a depravação humana e a condenação divina sobre práticas idólatras e sexuais, incluindo a homossexualidade, afirmando que Deus “os entregou a paixões infames… mulheres trocaram o modo natural das relações íntimas por outro, contrário à natureza; e, semelhantemente, também os homens, deixando o contato natural com a mulher, se inflamaram em desejo uns pelos outros, praticando torpezas… recebendo em si mesmos a justa retribuição do seu erro.”
- 1ª Coríntios 6 versos 9 e 10 também é explícito: “Não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem fornicários, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem homossexuais, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus.”
- Apocalipse 21 verso 8 e capítulo 22 verso 15 reiteram que os impuros e os que praticam abominações não entrarão na Cidade Santa.
A Bíblia veio para perdoar pecados através de Cristo, não para justificar viver neles. A mensagem do Evangelho é de arrependimento e transformação, não de validação de comportamentos pecaminosos.
- Autoridade da Escritura: A Bíblia é a Palavra de Deus e não deve ser alterada sob pena de juízo divino. Deuteronômio 4 verso 2 adverte: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.” Provérbios 30 versos 5 e 6 ecoa essa advertência: “Toda palavra de Deus é pura… Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso.” E, de forma mais direta para o cânon, Apocalipse 22 versos 18 e 19. A crítica textual busca o texto mais próximo do original com base em evidências manuscritológicas. As modificações nessas Bíblias inclusivas não se baseiam em achados textuais ou em princípios de tradução acadêmicos, mas sim em agendas ideológicas. Isso as torna inaceitáveis para a fé reformada, que preza a soberania da Palavra de Deus acima de todas as culturas e ideologias humanas.
A solidez da fé reformada na Bíblia exige vigilância e discernimento. Compreender as polêmicas em torno das traduções nos capacita a proteger a integridade da Palavra de Deus e a manter nossa fé firmemente ancorada na verdade revelada.
Questões para Aplicação Pessoal:
- Como a análise das polêmicas em torno das traduções reforça a importância da sua escolha de uma Bíblia para estudo e leitura?
- De que forma a existência de Bíblias de “linguagem inclusiva” o motiva a ser mais vigilante e aprofundar-se nos ensinamentos bíblicos sobre moralidade e pecado?
Cinco Pontos Relevantes sobre a Bibliologia
Natureza Divino-Humana da Bíblia: A Bibliologia nos ensina que a Bíblia é uma obra singular, plenamente divina em sua origem e autoridade, e plenamente humana em sua forma e transmissão. Assim como Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a Escritura reflete essa dualidade harmoniosa, utilizando autores humanos com suas particularidades, mas sob a inspiração e controle infalível do Espírito Santo (2ª Timóteo 3 verso 16; 2ª Pedro 1 verso 21).
Inerrância e Infalibilidade: A fé reformada sustenta que a Bíblia, em seus manuscritos originais (autógrafos), é inerrante (totalmente sem erros em tudo o que afirma) e infalível (não pode enganar ou falhar em seu propósito). Embora as cópias e traduções possam conter pequenas variantes, a vasta maioria dessas não afeta as doutrinas centrais, garantindo a absoluta confiabilidade da Palavra de Deus para fé e prática.
Autoridade Suprema (Sola Scriptura): A Bíblia é a única e infalível regra de fé e prática para o cristão. Sua autoridade é intrínseca, divina, e não depende do reconhecimento humano ou eclesiástico. Essa doutrina, central na Reforma Protestante (Sola Scriptura), subordina a razão e a tradição da igreja à Palavra de Deus, tornando-a a última instância para todas as questões doutrinárias e morais.
Preservação e Transmissão Providencial: Embora não possuamos os autógrafos, a providência de Deus se manifesta na notável preservação da Bíblia através de milhares de manuscritos antigos (como o Texto Massorético, Septuaginta, Códices Sinaítico, Vaticano, Alexandrino e os Manuscritos do Mar Morto). A crítica textual, ao comparar essas cópias, nos permite reconstruir o texto original com alta fidelidade, garantindo que a Bíblia que temos hoje é a mesma Palavra de Deus.
Necessidade da Hermenêutica e Discernimento nas Traduções: A correta interpretação da Bíblia requer o método gramático-histórico, que busca o sentido original do autor, considerando o idioma, contexto e gênero literário. Além disso, a abundância de traduções e as contínuas revisões, bem como o surgimento de versões com agendas ideológicas (como as de linguagem inclusiva), exigem que o crente seja vigilante e discernidor, compreendendo as bases textuais e rejeitando qualquer versão que altere a verdade das Escrituras para se adequar a ideologias humanas (Deuteronômio 4 verso 2; Apocalipse 22 versos 18 e 19).
Fim desta temporada
Queridos irmãos em Cristo,
Chegamos ao fim desta jornada incrível pela Bibliologia, uma viagem que nos levou às profundezas do Livro dos Livros. Se você nos acompanhou do primeiro ao último epsódio, queremos expressar nossa sincera gratidão. Que alegria foi saber que você se dedicou a este estudo, buscando honrar a Palavra de Deus ao entender sua essência, sua formação, sua história e, acima de tudo, sua inabalável autoridade.
Nossa oração é que este conhecimento não tenha sido apenas teórico, mas que tenha acendido em seu coração uma paixão ainda maior pelas Escrituras. Que a verdade sobre a sua inspiração, inerrância e suficiência o encoraje a ler a Bíblia não como um livro comum, mas como a própria voz do Criador. Que a compreensão da sua preservação providencial ao longo dos séculos reforce sua confiança de que você tem em suas mãos um tesouro perfeito e puro.
A jornada do conhecimento de Deus, no entanto, jamais termina. A Palavra é um oceano de sabedoria infinita. Que você continue a “conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor” (Oséias 6 verso 3), mergulhando em suas páginas com um coração humilde e um espírito sedento. Que o Espírito Santo, o grande autor da Bíblia, continue a iluminar seu entendimento, tornando as passagens claras, e o texto, cada vez mais vivo em sua vida.
Permaneça firme na Palavra, pratique os seus ensinamentos e, acima de tudo, viva o Evangelho que ela revela. Que a sua vida seja um reflexo do Deus que se deu a conhecer a nós.
Com gratidão e em Cristo, pois “Viver é Cristo!”
Bibliografia
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 4. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
FACULDADE E SEMINÁRIO TEOLÓGICO NACIONAL. Bibliologia. Material didático. Ensino à Distância.
FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.
BEKE, Joel R., e SMALLEY, Paul M. Teologia Sistemática Reformada, Volume 1: A Revelação – Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2020
GEISLER, Norman L. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 2012.
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999.
GILBERTO, Antônio Gilberto da Silva. A Bíblia através dos séculos: A história e formação do Livro dos livros. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1986.
A Bíblia de Estudo Almeida. 2. ed. rev. e atual. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.
A Origem da Bíblia: manuscritos, traduções e formação do cânon. São Paulo: CPAD, 2018.
Bibliologia – Inspiração e Canonicidade da Bíblia. Material de estudo teológico.
Introdução Bíblica: fundamentos para o estudo das Escrituras. São Paulo: Vida Acadêmica, 2019.
Termo de Permissão para Uso de Conteúdo
Este artigo é propriedade intelectual do site Viver é Cristo ( viverecristo.com.br). É concedida a permissão para compartilhar, reproduzir ou distribuir este conteúdo em outras plataformas ou formatos, sob as seguintes condições:
1. Crédito ao Autor e ao Site: Toda utilização do conteúdo deve incluir um reconhecimento explícito ao autor original e um link claro e visível para o site “Viver é Cristo” (viverecristo.com.br).
2. Uso Não-Comercial: O conteúdo pode ser utilizado para fins não comerciais apenas, salvo autorização específica e por escrito por parte dos editores do site “Viver é Cristo”.
3. Sem Modificações: O conteúdo deve ser mantido em sua forma original, sem alterações, edições ou adaptações significativas.
Este termo de permissão tem como objetivo promover a difusão de informações e conhecimentos relacionados à fé e espiritualidade, respeitando os direitos autorais e a integridade do conteúdo original.
Para solicitações de uso comercial, alterações no conteúdo, ou qualquer outro uso não coberto por este termo, por favor, entre em contato conosco através do nosso site ou pelo endereço eletrônico contato.viverecristo@gmail.com.
Atenciosamente, Márcio M Santos (Redator)
Viver é Cristo – viverecristo.com.br